Citações Famosas
"Tal foi a razão de se publicar somente a narrativa. Quanto ao título, foram lembrados vários, em que o assunto se pudesse resumir. Ab ovo, por exemplo, apesar do latim; venceu, porém, a ideia de lhe dar estes dois nomes que o próprio texto explicará."— Machado de Assis (Página 1)
"Dico che quando l'anima mal nata... Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra."— Machado de Assis (Página 38)
"Os contrários se atraem; esse é um princípio da natureza. Ora, sendo os dois rapazes contrários em tudo, e não se atraindo, segue-se que não eram da natureza."— Machado de Assis (Página 74)
Perguntas Frequentes
Esaú e Jacó narra a história dos gêmeos Pedro e Paulo, filhos da aristocrática Natividade, que desde o nascimento são rivais irreconciliáveis. Ambientado no Rio de Janeiro entre os anos finais do Império e o início da República, o romance acompanha os irmãos ao longo da vida: Pedro torna-se médico e monarquista; Paulo forma-se advogado e defende a República com fervor. Em tudo opostos, convergem num único ponto: o amor pela jovem Flora, que oscila entre os dois sem nunca se decidir, até morrer de indecisão. A narrativa é conduzida pelo Conselheiro Aires, personagem-narrador de refinada ironia, e funciona como uma sátira à vacuidade das disputas políticas e aos dualismos que definem o homem e a nação brasileira.
Os temas centrais de Esaú e Jacó são o dualismo, a identidade, o relativismo político e a ilusão das oposições. Machado de Assis usa o conflito entre Pedro e Paulo — monarquista e republicano, médico e advogado, conservador e progressista — para demonstrar que os dois lados são, no fundo, equivalentes: diferentes na aparência, idênticos na essência. Flora, que ama os dois sem conseguir distingui-los, funciona como metáfora do Brasil dividido. A obra é considerada uma das mais sofisticadas da literatura brasileira por sua construção narrativa inovadora — com um narrador que tematiza o próprio ato de narrar — e por antecipar questões filosóficas e estéticas que só ganhariam nome no século XX.
O título é uma referência direta ao livro do Gênesis, onde Esaú e Jacó são filhos gêmeos de Isaac e Rebeca — rivais desde o ventre da mãe, que competem pela primogenitura e pelo favor dos pais. Machado de Assis retoma esse mito para nomear o conflito entre Pedro e Paulo, seus próprios gêmeos ficcionais, cujas disputas não têm causa racional explicável: brigam porque é da sua natureza, assim como Esaú e Jacó. A referência bíblica eleva o conflito fraterno do plano pessoal ao mítico, sugerindo que as rivalidades humanas — inclusive as políticas — têm raízes mais profundas do que ideologias ou escolhas conscientes. O próprio Machado menciona na Advertência que o título venceu outras alternativas, como 'Ab Ovo' — que indicaria a mesma ideia de conflito desde a origem.
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