Capa do livro Esaú e Jacó

Esaú e Jacó

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Sinopse do Livro

Esaú e Jacó é o penúltimo romance de Machado de Assis, publicado em 1904 pela Editora Garnier. Ambientado no Rio de Janeiro da transição entre o Império e a República, narra a história dos gêmeos Pedro e Paulo — idênticos na aparência, irreconciliáveis no temperamento e nas convicções políticas. Os dois rivalizam em tudo desde o ventre da mãe, e o conflito atinge seu ápice quando ambos se apaixonam pela mesma mulher, Flora, incapaz de escolher entre eles. Narrado com a ironia refinada do Conselheiro Aires, o romance é uma das mais sofisticadas reflexões da literatura brasileira sobre identidade, política e os dualismos que definem o homem e a nação.

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Romance Realista Português Dominio Público

Sobre Este Livro

Publicado em 1904 pela H. Garnier, Livreiro-Editor, do Rio de Janeiro, Esaú e Jacó é o oitavo e penúltimo romance de Machado de Assis — e, segundo a crítica especializada, uma das obras mais refinadas de toda a sua produção ficcional. Situado entre Dom Casmurro (1899) e o rarefeito Memorial de Aires (1908), o livro foi escrito em plena maturidade literária e representa, ao mesmo tempo, uma síntese da técnica machadiana e uma ambiciosa meditação sobre os dualismo que estruturam a experiência humana.

A narrativa acompanha os gêmeos Pedro e Paulo, filhos de Natividade e Santos, nascidos no Rio de Janeiro de 1870. Antes mesmo de nascerem, a mãe consulta uma cabocla do Morro do Castelo, que profetiza: os filhos serão grandes — mas brigam muito. A previsão se confirma com precisão crescente: Pedro torna-se médico e monarquista ferrenho; Paulo forma-se em Direito e abraça o republicanismo com ardor. Os dois são opostos em tudo — temperamento, política, visão de mundo — mas convergem num único ponto: o amor pela jovem Flora Batista, que oscila entre eles sem nunca se decidir e acaba por morrer jovem, consumida por essa indecisão.

A história é narrada pelo Conselheiro Aires — diplomata aposentado, cético e refinado, que também figura como personagem —, em uma construção que Machado explicitamente tematiza: na Advertência que abre o livro, o narrador nos conta que o texto é extraído do diário de Aires, apresentando-se como um editor da narrativa. Essa instabilidade deliberada do ponto de vista narrativo é apontada pela crítica como um dos traços mais modernos e sofisticados da obra.

O pano de fundo histórico — a Abolição da Escravatura, o Encilhamento e a Proclamação da República — não é mero cenário, mas matéria irônica da trama. A disputa entre monarquia e república, encarnada em Pedro e Paulo, é apresentada por Machado como essencialmente vazia: os dois lados são diferentes na aparência, mas idênticos na substância. Flora, incapaz de distingui-los, funciona como metáfora do Brasil dividido entre dois projetos de nação que, no fundo, se equivalem.

O título ecoa o Gênesis bíblico — a história dos irmãos gêmeos filhos de Isaac e Rebeca —, e reforça a dimensão mítica do conflito fraterno. O crítico José Veríssimo, em resenha publicada logo após o lançamento, observou que o principal encanto da obra está no próprio narrador. Décadas depois, estudiosos como John Gledson e Hélio de Seixas Guimarães confirmaram essa leitura, considerando Esaú e Jacó uma verdadeira teoria da composição ficcional, em que Machado não apenas conta uma história, mas reflete — dentro da própria ficção — sobre o que é narrar.

Citações Famosas

"Tal foi a razão de se publicar somente a narrativa. Quanto ao título, foram lembrados vários, em que o assunto se pudesse resumir. Ab ovo, por exemplo, apesar do latim; venceu, porém, a ideia de lhe dar estes dois nomes que o próprio texto explicará."
— Machado de Assis (Página 1)
"Dico che quando l'anima mal nata... Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra."
— Machado de Assis (Página 38)
"Os contrários se atraem; esse é um princípio da natureza. Ora, sendo os dois rapazes contrários em tudo, e não se atraindo, segue-se que não eram da natureza."
— Machado de Assis (Página 74)

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Sobre o Autor

Foto de Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis (1839–1908) é universalmente aclamado como o maior escritor da literatura brasileira. Ele não apenas fundou o Realismo no Brasil com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), mas também moldou o panorama literário nacional, sendo um dos fundadores e o pri...

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