Jane Austen
Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, Inglaterra, sétima de oito filhos do reverendo George Austen e de Cassandra Leigh. Cresceu em um lar culto e afetuoso, onde os livros, as conversas espirituosas e as representações teatrais caseiras eram parte do cotidiano. Filha de um clérigo de paróquia rural, pertencia à classe média rural inglesa — o mesmo mundo que retrataria com precisão cirúrgica e ironia sutil em suas obras. Sua irmã Cassandra foi sua companheira mais íntima e confidente por toda a vida. Educada em casa e por breves períodos em internatos, Jane devorou a biblioteca do pai e desenvolveu desde cedo o gosto pela escrita. Ainda adolescente, produziu paródias divertidas e juvenilia cheias de humor. Após a morte do pai em 1805, a família enfrentou instabilidade financeira e mudou-se para Bath, Southampton e, finalmente, para Chawton, em 1809, onde Jane viveu seus anos mais produtivos em uma casa modesta cedida pelo irmão Edward. Nunca se casou, embora tenha tido breves romances e uma proposta de casamento que recusou, preferindo a independência relativa que a escrita e o apoio familiar lhe permitiam. Sua carreira literária foi discreta. Publicou anonimamente (“By a Lady”) seus primeiros romances: Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813) — talvez sua obra mais famosa, cuja primeira versão, First Impressions, foi escrita ainda na juventude —, Mansfield Park (1814) e Emma (1815). Somente após sua morte foram lançados Abadia de Northanger e Persuasão (1817). Seus livros, publicados sem alarde, alcançaram sucesso moderado em vida, mas foi no século XIX e especialmente no XX que sua reputação cresceu até se tornar uma das vozes mais amadas e estudadas da literatura inglesa. Jane Austen revolucionou o romance moderno ao focar na vida cotidiana da pequena nobreza rural e da burguesia, com um olhar aguçado para as convenções sociais, o casamento como instituição econômica, as restrições impostas às mulheres e as sutilezas do comportamento humano. Sua prosa é clara, elegante e repleta de ironia fina — nunca estridente, sempre precisa. Ela não precisava de grandes eventos históricos ou aventuras exóticas: bastavam uma sala de visitas, um baile, um passeio no campo e o jogo delicado entre orgulho, preconceito, razão e sentimento para revelar verdades profundas sobre a natureza humana. Aos 41 anos, Jane Austen adoeceu gravemente (provavelmente de doença de Addison ou linfoma de Hodgkin) e faleceu em 18 de julho de 1817, em Winchester, nos braços da irmã Cassandra. Foi sepultada na Catedral de Winchester. Deixou inacabado o romance Sanditon. Sua família publicou as obras póstumas e, aos poucos, revelou sua autoria. Hoje, mais de duzentos anos depois, seus romances continuam a ser lidos, adaptados para o cinema, televisão e teatro, e estudados em universidades de todo o mundo.